Iemanjá

Iemanjá ajuda Olodumare na criação do mundo.

Olodumare vivia só no infinito, cercado apenas de fogo chamas e vapores, onde quase nem podia caminhar.

Cansado desse universo tenebroso, cansado de não ter com quem falar, cansado de não ter com quem brigar, decidiu pôr fim àquela situação.

Libertou as suas forças e a violência delas fez jorrar uma tormenta de águas.

As águas debateram-se com as rochas que nasciam e abriram no chão profundas e grandes cavidades.

A água encheu as fendas ocas, fazendo-se os mares e oceanos, em cujas profundezas Olocum foi habitar.

Do que sobrou da inundação se fez a terra.

Na superfície do mar, junto  à terra, ali tomou-se reino de Iemanjá, com suas algas e estrelas-do-mar, peixes corais, conchas e madrepérolas.

Ali nasceu Iemanjá em prata e azul, coroada pelo arco-íris Oxumarê,

Olodumare e Iemanjá, a mãe dos orixás, dominaram o fogo no fundo da terra e o entregaram ao poder de Aganju, o mestre dos vulcões, por onde ainda respira o fogo aprisionado.

O fogo que se consumia na superfície do mundo eles apagaram e com as cinzas Orixá Ocô fertilizou os campos propiciando o nascimento das ervas, frutos, árvores, bosques, florestas, que foram dados aos cuidados de Ossain.

Nos lugares onde as cinzas foram escassas, nasceram os pântanos, a peste, que foi doada pela mãe dos orixás ao filho Omolu.

Iemanjá encantou-se com a Terra e a enfeitou com os rios, cascatas e lagoas.

Assim surgiu Oxum, dona das águas doces.

Quando tudo estava feito e cada natureza se encontrava na posse de um dos filhos de Iemanjá, Obatalá, respondendo diretamente às ordens de Olorum, criou o ser humano.

E o ser humano povoou a terra.

E os orixás pelos humanos foram celebrados.

*    *     *

Iemanjá é violentada pelo filho e dá à luz os orixás.

Da União entre Obatalá o céu, e Oduduá a terra, nasceram Aganju, a terra firme e Iemanjá, as águas.

Desposando seu irmão Aganju, Iemanjá deu à luz Orungâ.

Orungã nutriu pela mãe incestuoso amor.

Um dia, aproveitando-se da ausência do pai, Orungã raptou e violentou Iemanjá.

Aflita e entregue a total desespero, Iemanjá desprendeu-se dos braços do filho incestuoso e fugiu.

Perseguiu-a Orungã.

Quando ele estava prestes a apanhá-la, Iemanjá caiu desfalecida e cresceu-lhe desmesuradamente o corpo, como se suas formas se transformassem em vales, montes, serras.

De seus seios enormes como duas montanhas nasceram dois rios, que adiante se reuniram numa só lagoa, originando adiante o mar.

O ventre descomunal de Iemanjá se rompeu e dele nasceram os orixás.

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NARRATIVA

Iemanjá pode ser desmembrada em diversas qualidades. A que vive na água doce, gosta de bailar, é alegre porém correta; cuida dos enfermos. A que acompanha Ogum, lutando ao seu lado, é trabalhadora, briguenta, violenta e feiticeira; baila com uma cobra enroscada nos braços. Uma é sábia, orgulhosa e respeitada até por Ifá, que lhe acata as decisões. Outra vive nas espumas, na ressaca, enroscada em um manto de limo; é muito lenta e esquecida, e recebe as oferendas em companhia dos mortos. Uma usa sete saias ricas e belas, para guerrear. A que vive nos poços e mananciais dos bosques também tem ligação com Ogum. Uma vive no mais profundo anil do mar. Outra tem ligação com as nuvens, dando-lhes ordens e direcionamento suas águas. Outra ainda está ligada à Lua.

Por fim, existe a sereia, com o corpo coberto de escamas e pêlos prateados.  

Tipo físico das filhas de Iemanjá.

A filha de Iemanjá ou quem lhe é dedicado é alta, robusta e forte. Tem ossatura grande e quadris largos, seios grandes e generosos. O rosto é fino, os olhos são pequenos e maternais.

Personalidade das Filhas de Iemanjá.

Protetora, seria e altiva, honesta e dedicada à família, a filha de Iemanjá é esposa e mãe fiel, preocupando-se sempre com os outros. Embora aparentemente tranqüila, doce e paciente, é rigorosa, enérgica e eficiente; seus sentimentos são sempre excessivos: ciumenta e possessiva, é imprevisível, principalmente quando se irrita; às vezes, põe à prova as amizades e costuma não perdoar nem esquecer nunca as falhas dos outros. Não guarda segredos. Orgulhosa, vaidosa, sensual e fascinante, gosta da cor azul, bem vistosa; gosta também de joias caras e da vida suntuosa mesmo que não possa viver assim.

Profissões preferidas das filhas de Iemanjá.

Dona-de-casa, ama-de-leite, babá, cozinheira, professora primária, irmã de caridade, médica (especialmente pediatra), todos os trabalhos que tenham um sentido maternal. Mas também pode ser embaixatriz, governante.

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