Omolu-Obaluaê

Obaluaê era um menino muito desobediente.

Um, dia ele estava brincando perto de um lindo jardim repleto de pequenas flores brancas.

Sua mãe lhe havia dito que não deveria pisar nas flores, mas Obaluaê desobedeceu à sua mãe e pisou as flores de proposito.

Ela não disse nada, mas quando Obaluaê deu-se conta estava ficando com o corpo todo coberto de pequeninas flores brancas, que foram se transformando em pústulas, bolhas horríveis.

Obaluaê ficou com muito medo.

Gritava pedindo a sua mãe que o livra-se daquela peste, a varíola.

A mãe de Obaluaê lhe disse que aquilo acontecera como castigo porque ele havia sido desobediente, mas ela iria ajuda-lo.

Ela pegou um punhado de pipoca e jogou no corpo dele e, como por encanto, as feridas foram desparecendo.

Obaluaê saiu do jardim tão bom quando havia entrado.

*     *     *

Obaluaê tem feridas transformada em pipocas por Iansã.

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás.

Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência.

Então ficou espiando pelas frestas do terreiro.

Ogum, ao perceber a angustia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.

Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele.

Iansã tudo acompanhava com rabo de olho.

Ela compreendia a triste situação de Obaluaê e dele se compadeceu.

Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.

O xirê estava animado.

Iansã chegou bem perto dele e soprou sua roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam sua pestilência.

Nesse momento de encanto e ventania as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformando numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão.

Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.

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